Empresas vão compartilhar cargas da Região Oeste para Paranaguá em transporte férreo

Volume passará de 1,1 milhão para cerca de 2 milhões de toneladas/ano.
Operação conjunta deve iniciar no final de fevereiro, para escoar uma safra que promete bater recordes de produtividade.
A Ferroeste (Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A.) e a Rumo Logística formalizaram nesta quarta-feira (5), em Cascavel, o Contrato de Operação Específico que vai ampliar a capacidade de escoamento da safra da região Oeste pelo ramal ferroviário. Com o acordo, o volume de produtos transportados na malha que liga Cascavel ao Porto de Paranaguá passará dos atuais de 1,1 milhão de toneladas por ano para cerca de 2 milhões/ano.
O documento foi assinado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior; o diretor-presidente da Ferroeste, André Gonçalves; o presidente da Rumo Logística, João Alberto Abreu; o vice-presidente da empresa, Daniel Rockenbach; e pelo secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, em solenidade na Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic).
O acordo comercial permite que as duas empresas compartilhem cargas que saem da Região Oeste em direção a Paranaguá. A negociação possibilita à empresa Rumo entrar no trecho da Ferroeste, inclusive com reforço de maquinário. O contrato atende a uma regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A operação conjunta deve iniciar no final de fevereiro, para escoar uma safra que promete bater recordes de produtividade. “Com apenas uma decisão administrativa, sem custos para o Estado, estamos dobrando a capacidade de carga da Ferroeste até o Porto de Paranaguá”, destacou Ratinho Junior. “A Rumo pagará à Ferroeste para fazer essa operação, que além de tudo vai atender as nossas cooperativas, que estão em um momento maravilhoso de crescimento”, disse.
Atualmente, a multinacional é responsável pela operação entre Guarapuava e o Porto de Paranaguá. Já a Ferroeste administra o trecho ferroviário entre Cascavel e Guarapuava. “Este acordo estabelece uma nova forma de trabalhar a importação e a exportação dos produtos pelo ramal ferroviário”, afirmou André Gonçalves, da Ferroeste.
“Até o ano passado, os vagões da Ferroeste eram levados até Guarapuava. Ali se trocavam as locomotivas e vagões, e a Rumo levava até Paranaguá”, explicou. “A partir de agora, a Rumo vai fazer esse trajeto pelos trilhos da Ferroeste, não vai mais haver essa troca. É uma forma mais rápida e ágil de transportar os produtos”.
O presidente da Rumo, João Alberto Abreu, destacou que o acordo representa um ganho de eficiência na logística, beneficiando o setor produtivo. “Temos que olhar essa ferrovia como uma única malha e operar de forma completamente integrada, fazendo o escoamento a um custo bem mais competitivo para a região”, disse .
SAFRA RECORDE – O aumento de capacidade de escoamento pelo ramal vai atender a uma safra com possibilidade de ser recorde na agricultura paranaense. A projeção do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, é que sejam colhidas até 23,4 milhões de toneladas de grãos em 2020. Se concretizado, o volume será 19% acima da safra do ano passado, quando foram colhidos 19,7 milhões de toneladas.
O secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, afirmou que os investimentos do Estado na área de infraestrutura buscam atender à demanda do setor produtivo. “Devido à supersafra deste ano, tínhamos que dar condições à região Oeste de poder contar com uma capacidade maior de carga neste modal”, afirmou. “Tínhamos que correr contra o tempo para atender a colheita, que começa em meados de fevereiro, e dar o suporte necessário para o setor produtivo levar seu produto para o porto”.
O plantio de soja ocupa 92% da área plantada em todo Estado, com 5,4 milhões de hectares. A previsão para a safra de soja 2019/20 está mantida em 19,8 milhões de toneladas, volume 23% maior que na safra passada, quando foram colhidas 16,1 milhões de toneladas.
A primeira safra de milho está totalmente plantada, ocupa uma área de 335 mil hectares – 7% a menos que na safra anterior. A estimativa de produção é de 3,1 milhões de toneladas, repetindo o volume da safra passada.
Fonte: AEN.